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Marco Marcelino

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CEO da Serinews Intelligence Service. Especialista em inteligência de dados voltada a estratégias de marketing e metodologias multiplataformas em comunicação.

O futurismo tem envelhecido rapidamente

De que adianta coletar dados sobre tendências do trabalho se ainda não sabemos o que fazer com eles?

Por Marco Marcelino
Atualizado em 4 dez 2024, 18h18 - Publicado em 4 dez 2024, 08h00
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 (Lila Cruz/VOCÊ S/A)
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V

ivemos um paradoxo curioso: enquanto o presente nos atropela com novidades que mal conseguimos digerir, o futuro, com sua pressa desajeitada, já nasce datado. Vejo os exemplos que a história recente nos ofereceu como um teatro tragicômico de obsolescência: a fita cassete, celebrada como o ápice da modernidade, foi deposta sem piedade pelo CD. O próprio CD, soberbo, teve uma existência efêmera diante de seu sucessor, o DVD, que, ironicamente, durou ainda menos do que ele.

O Blue-Ray? Um príncipe que jamais chegou ao trono. E então, a nuvem, desacreditada e improvável, se tornou o novo Olimpo digital.

Da mesma forma, vemos ideias proclamadas como revolucionárias, palmas ecoando em eventos, slides projetados com promessas que envelhecem antes mesmo de sair do palco.

Inbound marketing? Maravilhoso, até alguém encurtar a relação entre quem procura e quem vende para um piscar de olhos. Estratégias mirabolantes para captar leads se dissolvem quando o público, saturado, decide ignorar o óbvio.

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É a lógica humana que não sai do lugar

Mas nem tudo é culpa da tecnologia. Há o velho dilema humano, tão resistente ao progresso quanto as pedras que não se movem no rio. De que adianta coletar dados, e fazê-lo com esmero, diga-se, se ninguém sabe o que fazer com eles? Transformar dados em informação é um desafio para poucos; transformar informações em ações, para menos ainda.

E quando, finalmente, a oportunidade surge, um “lead quente”, como dizem no jargão mercadológico, o vendedor tropeça.

A negociação se desfaz porque o preço não dialoga com a realidade, porque condições reais não foram sequer mencionadas, quanto mais negociadas. Aqui reside o drama do século: a separação das vendas da negociação. Dois conceitos que deveriam dançar em harmonia, mas vivem em descompasso.

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E, claro, a inteligência artificial surge como uma promessa para resolver tudo. Um agente brilhante, capaz de automatizar aquilo que levamos décadas para aprender.

A negociação se desfaz porque o preço não dialoga com a realidade, porque condições reais não foram sequer mencionadas, quanto mais negociadas.

E, no entanto, até ela está sujeita à efemeridade. Porque o problema não está nas máquinas, mas na própria lógica humana, que insiste em adorar novidades que, no fundo, são apenas relíquias antecipadas.

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Assim, os livros chegam às livrarias já desatualizados e com cheiro de mofo; os eventos, que se dizem visionários, repetem cases do passado embalados em discursos de impacto.

Enquanto isso, cresce a busca pela preditividade, essa obsessão por domar o futuro. Só que essa geração, ansiosa e frenética, não sabe se critica o novo ou se joga nele, gastando suas energias em novidades que já nascem ultrapassadas.

E o futuro? Ah, o futurismo continua envelhecendo rapidamente, como uma criança que nunca chega à adolescência. O que nos resta, então, senão a reflexão amarga: será que não estamos todos, no fundo, tentando correr atrás de algo que já passou?

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