Novas tecnologias devem substituir 92 milhões de empregos até 2030, diz pesquisa

Apesar disso, o relatório, realizado pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Fundação Dom Cabral, aponta que o saldo de empregos será positivo. No total, 170 milhões de postos serão criados – deixando um saldo de 78 milhões de vagas. Confira. 

Por Sofia Kercher
Atualizado em 8 jan 2025, 17h36 - Publicado em 8 jan 2025, 17h30
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 (Vasil Dimitrov/Getty Images)
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ovas tecnologias como Inteligência Artificial, Machine Learning e seus congêneres de nome gringo devem substituir 92 milhões de postos de trabalho até 2030 – 8% da força de trabalho mundial atual. 

Ainda sim, a conta fecha positiva: estima-se que, em contrapartida, 170 milhões de empregos sejam gerados pelo setor (ou 14% da mão de obra mundial). O saldo, portanto, é de 78 milhões de vagas (7%).

Coisa que não passa despercebido pelos empregadores mundo afora: 48% planejam transitar funcionários de funções em declínio para funções em crescimento ao longo dos próximos cinco anos.

É isso que mostra a 5ª edição do relatório Futuro do Trabalho, feito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). A pesquisa realizou 38 perguntas para mais de mil empregadores, distribuídos ao longo de 55 países, entre maio e setembro de 2024. Seu objetivo é examinar as macrotendências que impactam os empregos, no período de 2025 até 2030.

Segundo Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC, essas tecnologias deixam de ser tendência para se tornarem realidade dos trabalhadores mundo afora. “O tema da IA deixou de ser hype, filme de ficção científica. Ele se tornou tema do dia a dia do mercado de trabalho, com foco central na produtividade”, argumenta o especialista.

Nesse sentido, o relatório aponta como 65% dos trabalhadores entrevistados consideram a necessidade de requalificação para se adequar à demanda do mercado – com foco nas competências relacionadas à IA, Big Data, e segurança cibernética.

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Ainda, 78% buscam esse treinamento dentro de suas empresas. Quando não encontram, 70% afirma que está disposto a dedicar tempo fora do expediente para fazê-lo.

“Quando falamos sobre requalificação, não é curso feito em plataforma tecnológica de fácil acesso. Estamos falando de requalificação com a devida profundidade e conhecimento técnico. Aquela que pode, e deve, virar projeto dentro das organizações”, adiciona Tadeu.

Funções que ganham e perdem

Neste contexto, há quem ganhe e quem perde. Como dito anteriormente, é esperado que a criação e a substituição de empregos devido às movimentações tecnológicas representem 22% dos empregos formais atuais. 

Serão 170 milhões de novos postos de trabalho (14% dos empregos formais hoje). Esse crescimento será compensado pela substituição de 92 milhões dos empregos atuais (8%), o que resulta em um saldo positivo, de 78 milhões de vagas (7%).

Quando falamos sobre requalificação, não é curso feito em plataforma tecnológica de fácil acesso. Estamos falando de requalificação com a devida profundidade e conhecimento técnico.

Hugo Tadeu, especialista da FDC.
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O estudo identifica os empregos tecnológicos em crescimento acelerado, e aqueles que tem forte tendência de substituição. Confira: 

Funções com crescimento mais rápido:

  1. Especialistas em Big Data.
  2. Engenheiros de Fintech.
  3. Especialistas em IA e Machine Learning.
  4. Desenvolvedores de Software e Aplicações.
  5. Especialistas em Gestão de Segurança.
  6. Especialistas em Armazenamento de Dados.
  7. Especialistas em Veículos Elétricos e Autônomos.
  8. Designers de Interface e Experiência do Usuário (UI e UX).
  9. Especialistas em Internet das Coisas (IoT).
  10. Motoristas de Serviços de Entrega.
  11. Analistas e cientistas de Dados.
  12. Engenheiros Ambientais.
  13. Analistas de Segurança da Informação.
  14. Engenheiro de DevOps.
  15. Engenheiros de Energia Renovável.

Funções com declínio mais rápido:

  1. Funcionários de Serviços Postais.
  2. Caixas bancários e cargos relacionados.
  3. Operadores de entrada de dados.
  4. Caixas e atendentes.
  5. Assistentes administrativos e secretários executivos.
  6. Trabalhadores de impressão e cargos relacionados.
  7. Contadores, auxiliares de contabilidade e de folha de pagamento.
  8. Atendentes e condutores de transporte.
  9. Assistentes de registro de materiais e controle de estoque.
  10. Vendedores porta a porta, vendedores de jornal, ambulantes e cargos relacionados.
  11. Designers gráficos.
  12. Peritos de seguros, examinadores e investigadores.
  13. Oficiais jurídicos.
  14. Secretárias jurídicas.

Ainda, o relatório enaltece a necessidade de estruturas adequadas de tomada de decisão, incentivos econômicos estratégicos e regulamentações governamentais, justamente para que essas tecnologias não resultem em maior desemprego e desigualdade. 

Habilidades em alta e em baixa

As habilidades mais e menos requisitadas também passam por um processo de transformação. De acordo com o relatório, 39% dos pré-requisitos exigidos por empregadores hoje serão mudados ou se tornarão obsoletos até 2030.

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85% dos empregadores planejam priorizar o chamado upskilling de sua força de trabalho (em bom português: isso acontece quando o profissional busca aprimorar conhecimentos na área que já está inserido). Dentre as principais habilidades exigidas, estão:

  1. Pensamento analítico (69%).
  2. Resiliência, flexibilidade e agilidade (67%).
  3. Liderança e influência social (61%).
  4. Pensamento criativo (57%).
  5. Motivação e autoconhecimento (52%).
  6. Alfabetização tecnológica (51%).
  7. Empatia e escuta ativa (50%).
  8. Curiosidade e aprendizado contínuo (50%).
  9. Gestão de talentos (47%).
  10. Orientação para o serviço e atendimento ao cliente (47%).
  11. IA e Big Data (45%).
  12. Pensamento sistêmico (42%).
  13. Gestão de recursos e operações (41%).
  14. Confiabilidade e atenção aos detalhes (37%).
  15. Controle de qualidade (35%).

IA e Big Data podem não estar no topo do ranking mundial, mas são prioridade para os empregadores no Brasil. Segundo o estudo, 53% dos empregadores indicam que estas serão áreas prioritárias de requalificação nos próximos cinco anos.

“Já passou do tempo de discutirmos clima organizacional, remuneração adequada, mais esquemas de controle nas empresas. Agora temos que discutir qual meta exigir, e que tipo de treinamento as empresas podem oferecer para captar, estimular e reter esses empregados”, adiciona Tadeu. 

“É fundamental que as equipes passem por uma alfabetização tecnológica no Brasil.” 

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Falando nele, o estudo traz um recorte do mercado de trabalho brasileiro – mais voltado às empresas do que aos empregados. Segundo ele, 9 em cada 10 empresas planejam aprimorar suas habilidades nos próximos cinco anos.

Em relação à recrutamento, 58% espera recrutar funcionários que tenham novas habilidades (como aquelas listadas acima). Ainda, 48% planejam transitar funcionários de funções em declínio para funções em crescimento. 

E a quem está buscando vagas em setores impulsionados pelo momento de transição verde e tecnológica nos próximos anos, o relatório indica: tecnologia da informação, energia renovável, mercado financeiro e agricultura estão em crescimento. 

Otimismo cauteloso

É assim que o estudo crava o panorama econômico global a partir de 2025. 

Segundo ele, o aumento do custo de vida (apontado por 50% dos entrevistados) e o crescimento econômico mais lento (42%) fazem com que muitos países ainda estejam vulneráveis a choques econômicos. 

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Realidade percebida por 34% dos empregadores, que consideram o aumento das tensões geoeconômicas um risco para o comércio e cadeias de suprimento globais. 

Pensando exclusivamente nos países de alta renda, a população em idade ativa está diminuindo e envelhecendo. Cortesia da queda das taxas de natalidade e aumento da expectativa de vida. De acordo com o estudo, isso faz com que exista uma maior pressão sobre os trabalhadores, que precisam sustentar a si e aqueles que não estão mais economicamente ativos.

Em relação aos países de baixa renda, a situação é diferente: a população em idade ativa está aumentando devido às altas taxas de natalidade. Isso significa que há um número cada vez maior de jovens no mercado, que podem levar a um impulsionamento da economia.

Nesse contexto, 40% dos empregadores estão sendo impactados pelo declínio da população em idade ativa, enquanto 25% estão sendo impactados pelo crescimento. 

A distribuição de pessoas em idade ativa em países de alta renda (51%) e baixa renda (49%) é praticamente equilibrada. No entanto, espera-se que, até 2050, os países de baixa renda representem 59% da população mundial em idade ativa pela primeira vez na história. 

Por fim, o relatório também aponta a transição verde como uma prioridade para 47% dos entrevistados. E os empregadores veem vantagem nisso: 41% deles afirmou que o aumento de ações relacionadas às mudanças climáticas pode promover mudanças organizacionais significativas. 

E a quem está buscando vagas em setores impulsionados pelo momento de transição verde e tecnológica nos próximos anos, o relatório indica: tecnologia da informação, energia renovável, mercado financeiro e agricultura estão em crescimento. 

Justamente por isso, os próximos cinco anos poderão ser marcados pelo aumento na demanda de “empregos verdes”, que são aqueles ligados ao meio ambiente e à sustentabilidade.

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